Depois de vários dias de altas, manchetes em tom de euforia, grupos de WhatsApp animados e o Ibovespa rompendo máximas históricas, surge a pergunta que todo investidor já se fez alguma vez: “o que eu faço quando a bolsa sobe tanto assim?”
Curiosamente, essa pergunta costuma gerar mais decisões ruins do que os momentos de pânico. Porque quando tudo sobe, o risco não parece risco. Parece oportunidade.
Quando as ações caem muito: o comportamento padrão
Vamos começar pelo cenário oposto, porque ele ajuda a entender o atual.
Quando o mercado despenca, o investidor médio (que geralmente não tem uma clara gestão de riscos) tende a agir assim: vende o que está no prejuízo para “estancar a dor”, promete que só volta quando “as coisas melhorarem”, e muitas vezes descobre depois que vendeu perto do fundo.
Esse é o comportamento movido pelo medo. A aversão à perda fala mais alto do que qualquer planilha.
Agora troque o medo pela euforia.
Quando tudo sobe: o comportamento muda, o erro é o mesmo
Em mercados muito esticados, o investidor costuma:
– Sentir FOMO (medo de ficar de fora),
– Comprar o que já subiu muito porque “agora vai”,
– Aumentar risco sem perceber,
– Confundir tendência com garantia.
A emoção agora não é pânico, é ansiedade. Mas o efeito é parecido: decisões apressadas, pouco racionais e mal calibradas ao perfil de risco. O ponto central é simples: preço alto não significa que está caro, mas exige muito mais critério e menos emoção.
Longo prazo: o mercado à vista continua fazendo sentido
Para quem investe no longo prazo, alta forte não é sinal para sair correndo, nem para entrar sem pensar.
Alguns princípios continuam valendo, talvez agora mais do que nunca:
– Aporte recorrente abaixo do seu preço teto pessoal continua sendo seu melhor amigo,
– Diversificação protege exatamente quando tudo parece fácil,
– A depender da estratégia, rebalanceamento faz mais sentido do que apostas novas.
Se você tem um plano, a bolsa em máxima não invalida o plano. O que invalida o plano é mudar de estratégia só porque o gráfico ficou bonito. Em muitos casos, não fazer nada é uma decisão ativa e inteligente.
Curto prazo: entusiasmo demais costuma custar caro
No curto prazo, especialmente para quem opera opções ou trades direcionais, o ambiente muda bastante.
Com o mercado esticado:
– Assimetria piora para quem compra atrasado,
– Stops ficam mais importantes do que convicções.
Aqui, menos é mais. Operar menor, escolher melhor e aceitar que não pegar o topo nem o fundo faz parte do jogo. A pressa costuma cobrar juros altos.
O erro clássico quando tudo está subindo
O maior erro não é comprar na alta. O maior erro é comprar sem saber por que está comprando.
Se a resposta for:
– “porque está subindo”,
– “porque todo mundo está ganhando”,
– “porque agora não tem como cair”,
Então o problema não é o mercado, é o comportamento.
Bolsa em máxima não é sinal de festa nem de fuga
Mercados fortes fazem parte do ciclo. Eles premiam método e punem impulso. Não exigem pressa, exigem clareza. A pergunta mais importante não é se o Ibovespa está caro ou barato, é se a sua decisão vem de um plano — ou da emoção de querer acertar o próximo movimento do índice.
Porque, no fim das contas, o mercado não cobra de quem erra o índice, cobra de quem erra o comportamento.






Excelente texto, André!
Muita clareza nesse texto, valeu 👍
Excelente texto. Parabéns!!!
Muito bom Andre!!!
Obrigado, Diegão!
Obrigado, grande Silveira! Sabe mto!
Excelente, André! Pura lucidez!
Obrigado, Diegão!
Muito bom André, obrigado!
Valeu, Edu!
Excelente texto André, direto ao ponto ! Cada vez mais precisamos refletir bem novas operações, para não cair nessas armadilhas (ansiedade, fomo). Voce deu contexto para o cenário atual, obrigado por compartilhar, abs
Obrigado, Wilson! É isso aí, refletir sempre, para não cair em armadilhas!
Muito bom!! Obrigada!
Obrigado, Veronica!
Boa André, excelente texto, no timing .
Valeu, TG! Tamo junto!
Excelente abordagem.
Obrigado, Agacenon!
Muito obrigado André texto muito importante!
Valeu, Rafael!
Muito oportuno 👏👏👏.
Grande Haack, muito obrigado!