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Dia D

U.S. President-elect Donald Trump delivers remarks at Mar-a-Lago in Palm Beach, Florida, U.S., December 16, 2024. REUTERS/Brian Snyder TPX IMAGES OF THE DAY

O dia 2 de abril não é o fim, mas o início de mais uma etapa do longo movimento que começou após a posse de Donald Trump.

Desde o início do ano, diversas notícias e ameaças de novas tarifas foram divulgadas, principalmente para China, Canadá, México e União Europeia. Algumas tarifas entraram em vigor, enquanto outras, após negociações, foram abrandadas ou canceladas. Hoje, dia 2 de abril, está marcado o anúncio do “tarifaço” de Donald Trump.

A intenção deste texto não é compilar o que aconteceu até aqui, mas sim analisar as variáveis em jogo e, mais importante, avaliar cenários para os próximos passos. Acredito que não estamos em um momento de definição, mas apenas diante de mais uma jogada no tabuleiro, abrindo, inclusive, espaço para negociações. Riscos e incertezas continuarão no cenário, sendo traduzidos em volatilidade.

Um cenário base para este momento seria o anúncio de um aumento de tarifas para a China, já que é o grande foco da guerra tarifária. Além disso, poderemos ter um aumento de tarifas para a União Europeia, provavelmente em mercados específicos. Uma grande dúvida é como ficará a questão do México e do Canadá. É inegável que há maiores possibilidades de negociação com esses países, até pela grande relação comercial e proximidade.

Acredito que o mercado já precificou grande parte desses movimentos do cenário base, especialmente no que diz respeito à China e à União Europeia. Um alívio das taxas para México e Canadá poderia “amortecer” um aumento das tarifas sobre a China, reforçando ainda mais a importância do anúncio em relação a esses países.

Cenário 1: Tarifas Mínimas e Foco em Negociação

Aqui, Trump aplica tarifas menores e direcionadas, focando setores estratégicos como automóveis, aço e tecnologia, com isenções parciais negociadas. Nesse caso, até poderemos ter um aumento de tarifas para a China e a União Europeia, mas a retórica do anúncio será fundamental. Países fora dos mencionados seriam excluídos do anúncio.

Tarifas menores para México e Canadá poderiam ser absorvidas no diálogo do USMCA.

Este é um cenário mais positivo para o mercado, pois, além de reduzir a volatilidade de curto prazo, aliviaria métricas de risco, beneficiando tanto o mercado americano quanto os emergentes.

Cenário 2: Cenário Base

Conforme comentado anteriormente, teríamos um aumento de tarifas para a China, além de tarifas direcionadas — em escala média — para setores da União Europeia. Dois pontos diferenciam esse cenário do anterior: a magnitude das tarifas e a incerteza quanto ao tratamento do Canadá e do México.

Creio que este é o cenário que “está no preço”. Nos últimos dias, tivemos uma forte alta do ouro, acompanhada por um movimento de rotação do dólar. A volatilidade, embora menor, persiste no mercado nesse cenário, e o risco de escalada e retaliações continuará presente.

Cenário 3: Tarifas Elevadas e Generalizadas

Neste cenário, Trump implementa tarifas agressivas, sem exceções significativas. A justificativa seria a busca por reciprocidade comercial e proteção da indústria americana. Além disso, tarifas também seriam aplicadas a outros países.

Esse cenário certamente não está precificado. Teríamos um aumento significativo da volatilidade de curto prazo, pressionando métricas de risco e intensificando a escalada no médio prazo devido às retaliações comerciais.

Sabe a expressão “ganha-ganha”? Pois bem, aqui seria um “perde-perde”. Ninguém sairia ileso dessa briga.

E o Brasil?

É muito difícil estimar como será o impacto no Brasil, especialmente se ocorrer o terceiro cenário. Além da volatilidade óbvia de curto prazo, precisaremos entender, em um eventual cenário, quais tarifas e com que magnitude seremos impactados.

Nos dias de volatilidade deste ano, especialmente no último mês, nosso mercado teve um comportamento razoável: nossa performance relativa foi boa em relação ao cenário global. É inegável que temos bons níveis de valuation, o que contribuiu para essa performance relativa nos dias de estresse.

O cenário 1 acredito ser difícil de acontecer, restando as opções 2 e 3. Sinceramente, espero estar errado e desejo que tenhamos o cenário 1.

Qual a única certeza nesse tabuleiro macro/geopolítico? Volatilidade.

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João Ascoli
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Escrito por João Ascoli

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20 Comentários

  1. João, considerando que o Brasil é exportador de commodities, e considerando que tais produtos integram a manufatura americana, se isso for levado em consideração, pois a guerra seria Manufatura Vs. Commodities, então creio ser estratégia a não aplicação de tarifas, ou talvez em menor escala.
    Por outro lado, o Brasil poderá beneficiar-se da guerra com a China, tornando nossos produtos mais comp..