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Digital Ocean – Capturando valor no Boom dos Agentes de IA.

Olá Clube IFY! Tudo bem?

Como já havia falado no texto anterior, vou postar mais sobre algumas empresas do ecossistema de Inteligência Artificial das quais gosto e vejo potencial promissor.

A Explosão dos Tokens: O Novo Big Bang da Infraestrutura de IA – Investfy

Hoje vamos falar sobre a Digital Ocean (DOCN), uma empresa que está passando por uma transição estrutural relevante: de um cloud provider focado em desenvolvedores para uma plataforma de infraestrutura AI‑native, voltada a pequenas e médias empresas digitais (DNEs), um segmento grande, crescente e estruturalmente negligenciado pelos hyperscalers.

Com o avanço do ecossistema de AI, será cada vez mais comum ouvirmos o termo empresa AI native ou empresa nativa de inteligência artifical, que são aquelas empresas que já nascem neste ambiente e tem seus modelos de negócio desenvolvidos e utilizando massivamente inteligência artifical. 

O mercado tende a subestimar empresas que:

  • Não são líderes absolutos de escala,
  • Mas possuem foco, simplicidade, disciplina de capital e proposta de valor clara.

Esse é exatamente o caso da DOCN.

1. Entendimento do Negócio, como a empresa ganha dinheiro?

A DigitalOcean gera receita oferecendo (i) infraestrutura de nuvem e kubernetes, (ii) computação, (iii) armazenamento, redes, (iv) bancos de dados gerenciados, e agora (v) infraestrutura para workloads de IA, incluindo GPUs, inferência e plataformas de desenvolvimento de modelos. 

O modelo é majoritariamente baseado em consumo, com crescente adoção de contratos de compromisso (commitments) conforme os clientes escalam. O foco não está em grandes corporações tradicionais, mas em empresas digitais em crescimento, startups maduras e times técnicos que valorizam:

  • Simplicidade operacional,
  • Previsibilidade de custos,
  • Integração nativa de serviços.

A introdução da camada de IA transforma o perfil de monetização: workloads de IA têm ARPU maior, maior adesão e potencial de expansão relevante ao longo do tempo.

2. Vantagem Competitiva (Moat)

A DOCN não possui um moat amplo como os hyperscalers, mas construiu um moat estreito, focado e crescente, sustentado por quatro pilares principais:

  1. Custos de Troca Crescentes
    À medida que os clientes integram compute, bancos de dados, redes, Kubernetes e inferência de IA em uma única stack, o custo operacional e de risco para migrar aumenta.

  2. Vantagem de Custo Relativa (TCO)
    Para seu público-alvo, a DigitalOcean entrega uma solução com custo total inferior e maior previsibilidade, algo crítico para PMEs digitais. Vemos isso com o aumento significativo da receita proveniente dos principais clientes.  

  3. Ecossistema e Comunidade
    A forte presença em comunidades de desenvolvedores cria um moat “soft”, que reduz CAC e aumenta retenção orgânica.

  4. Foco Estratégico 
    Ao não tentar competir em tudo, a empresa mantém disciplina de produto e alocação de capital — um traço clássico de bons compounders.

Conclusão: moat estreito, porém defensável e em expansão, desde que a execução continue disciplinada.

3. Qualidade da Gestão e Alocação de Capital

Sob a ótica de alocação de capital, vemos que a empresa busca equilibrar crescimento com lucratividade.

  • Clareza estratégica: posicionamento explícito como “AI‑native cloud para SMBs”, e não “AWS menor”.
  • Racionalidade na alocação de capital: uso de capital para quitar dívida cara e investir em ativos estratégicos (GPUs).
  • Visão de longo prazo: aceitação consciente de compressão temporária de FCF para capturar uma oportunidade estrutural.

Não há dividendos nem recompras pois o capital está sendo reinvestido com expectativa de retorno incremental elevado, o que é adequado neste estágio do negócio.

4. Análise Financeira e Value Drivers

Os principais drivers de valor são:

  • Crescimento sustentado de receita, com aceleração vinda de IA;
  • Expansão do ARPU médio via workloads mais intensivos;
  • Alavancagem operacional quando a capacidade instalada for melhor utilizada;
  • Retorno do FCF conforme o ciclo de capex amadurece.

A empresa revisou seu guidance para 2027, e segue otimista com a evolução do negócio.

Logo após a divulgação dos resultados do 1T2026, o mercado reagiu positivamente, subindo 40% em um dia.

O ponto central da tese é ROIC futuro, não FCF de curto prazo — um erro clássico de análise superficial.

5. Valuation e comparação com os pares.

A comparação com pares não é simples, pois neste ambiente dinâmico as empresas apresentam novas linhas de negócio, e migram rapidamente para novos setores como o de estruturas de worloads para agentes. 

Desta forma, fiz a tabela abaixo comparando DOCN com outras empresas do setor de NeoClouds como CRWV e NBIS, e adicionei Nvidia e Google, por serem conhecidas e também por serem benchmarks neste ecossitema de Inteligência Artifical.

Podemos observar na tabela acima que DOCN apresenta ROIC, e Margen Operacional positivos enquanto CRWV e NBIS ainda entregam retornos de capital negativos.

O múltiplo de Preço/Lucro é elevado (66,4x) e depende da materialização da capacidade e retenção e continuidade de crescimento dos clientes de IA, mostrado circulado em vermelho na figura abaixo.

Não é uma tese de “barato óbvio”, mas de compounder emergente, se bem executado.

6. Gatilhos de Valor – Próximos 12 Meses 

Gatilho 1 – Ramp‑up de Utilização da Capacidade de IA (Curto a Médio Prazo)

O que observar

  • Crescimento sequencial do AI Customer ARR;
  • Melhora na utilização dos clusters de GPU recém‑implantados.

Por que importa

  • Cada ponto percentual de maior utilização melhora significativamente o retorno sobre o capital investido;
  • Reduz o risco de “capex improdutivo”, principal medo do mercado.

Lógica de Value Investing : Capex só destrói valor se não gera retorno. O mercado costuma punir antes de observar os resultados.

Gatilho 2 – Expansão do ARPU dos Clientes Existentes (6–12 meses)

O que observar

  • Clientes core adotando inferência e serviços de IA;
  • Estabilidade ou leve expansão do Net Dollar Retention acima de 100%.

Por que importa

  • Crescimento vindo da base é estruturalmente mais barato e mais defensável;
  • Indica aumento de switching costs.

Gatilho 3 – Normalização Gradual do FCF (Final do Período)

O que observar

  • Estabilização do capex como % da receita;
  • Recuperação progressiva do free cash flow.

Por que importa

  • Marca a transição de “fase de investimento” para “fase de colheita”;
  • Atrai investidores mais conservadores.

Gatilho 4 – Evidência de Diferenciação vs Hyperscalers

O que observar

  • Comunicação de casos de uso específicos onde a DOCN vence por simplicidade e custo;
  • Ausência de guerra de preços destrutiva.

Por que importa

  • Confirma que o moat é real, ainda que estreito;
  • Reduz risco de compressão estrutural de margens.

Gatilho 5 – Consolidação da Narrativa de Longo Prazo

O que observar

  • Clareza contínua na comunicação estratégica;
  • Consistência entre discurso, capex e métricas operacionais.

Por que importa

  • Empresas bem comunicadas tendem a ter menor custo de capital;
  • Reduz volatilidade desnecessária.

7. Conclusão Final

A DigitalOcean não é uma aposta em “AI hype”, mas em (i) Foco estratégico, (ii) Disciplina de capital e (iii) Crescimento estrutural em um nicho negligenciado até o momento. A assimetria Risco‑Retorno fica por conta do risco de execução, intensidade competitiva e timing do capex, e o retorno potencial é ser um compounder de infraestrutura com moat funcional e ROIC crescente.

Devemos seguir monitorando (i) utilização da capacidade de IA, (ii) retenção e expansão de clientes DNE e a (iii) evolução do FCF pós‑ciclo de investimento.

Não é um “no‑brainer barato”, mas pode ser um excelente negócio comprado a um preço razoável, se a execução confirmar a tese.

Abri posição pequena antes da divulgação de resultados, e não esperava aumento tão rápido nos preços. Sigo estudando mais a fundo para aumentar o entendimento da tese e entender em qual patamar de preço fará sentido aumentar posição.

Forte abraço,

Rodrigo Silveira.

Contribuidor

Escrito por Rodrigo Silveira

Executivo com mais de 20 anos de experiência profissional nos segmentos de Tecnologia, Automotivo, e Alimentício em empresas como BMW, Amazon, Nestlé e Microsoft. Engenheiro Mecânico com MBA em gestão de Negócios e Value Investing. Invisto em ações desde 2016 com viés fundamentalista e buscando assimetrias de longo prazo.

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