Bom dia! Seguem as notícias e análises macro. Desejo a todos um ótimo dia e ótimos negócios.
1- Análise Macro: PMI Mfg (EUA)
O índice industrial medido pela S&P atingiu o maior patamar em quatros anos com empresas continuando o processo de estocagem em meio ao maior aumento dos custos também no mesmo período. Assim, o dado não é tão saudável quanto aparenta em sua primeira leitura, embora o setor industrial há vários meses estivesse crescendo, conforme se observa no gráfico abaixo.
Conclusão: a indústria americana já vinha dando sinais de recuperação, que foi acelerada devido a guerra. A maior preocupação são as cadeias logísticas, já que se observa um grande aumento nos custos, que em algum momento será repassado para a população. Ormuz segue sendo chave!
2- Bolsas globais
S&P subiu 0,26% e Nasdaq 0,42% ontem, fechando novamente em cotação recorde.
Futuros de NY caem mais de 0,1%. Investidores atentos aos dados de emprego desta semana e também aos IPOs da AI-3 (nova sigla): SpaceX, Anthropic e OpenAI, que devem captar U$200 bilhões nas próximas semanas, tendo valor de mercado de até U$5 trilhões.
3- Treasuries e juros globais
Juros das Treasuries caem e são negociados a 4,43%.
A semana é bem relevante, já que teremos a divulgação de quatro dados de emprego: JOLTS (hoje), ADP mensal (amanhã), Jobless Claims (quinta-feira) e Payroll (sexta-feira).
4- Petróleo
Petróleo cai 1,0% esta manhã: WTI é cotado a U$91 e Brent a U$94.
Mais uma vez, a queda ocorre fala de Trump, que diz que segue negociando. Por ora, nada definitivo. Segundo o Polymarket, há 20% de chances de Ormuz ser reaberto até final de junho e 41% até final julho.
5- Brasília
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) concluiu investigação contra o Brasil iniciada em julho do ano passado e propôs tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A lista de exceções não é grande e engloba, entre outros produtos, algumas carnes, café, cereais, minerais, terras raras e aviões.
Os motivos alegados são: comércio digital, serviços de pagamentos (PIX que reduz severamente o uso dos cartões americanos), acordos tarifários, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e combate à corrupção.
A decisão agora vai para as mãos de Trump, que tem prazo até 15 de julho para aprovar integralmente ou não as sugestões do USTR. Neste período, espera-se várias rodadas de negociações.
Em termos políticos, novas sanções beneficiam Lula. Segundo a Fatto Política: “Isso gera animação na equipe de comunicação de Lula, que enxerga potencial para reforçar a narrativa de defesa dos interesses nacionais. Embora represente um desafio diplomático e comercial, o tema é visto por parte do governo como politicamente administrável.”

6- PMI Industrial
A produção caiu com queda nas vendas totais e novos pedidos para exportação. Além disso, o forte aumento de custo e as restrições orçamentárias reduziram as compras de insumo. Desta forma, apesar do crescimento nos estoques de forma mais moderada, o PMI caiu em maio para baixo de 50 pontos.
Além disso, a guerra atrasou o recebimento de materiais comprados. O ponto relevante a ser analisado é que pela metodologia do PMI, quanto mais as entregas demoram a ser feitas, maior é o índice, não distinguindo se o atraso é por economia aquecida ou problemas nas cadeias de suprimentos. A lógica é que atrasos sugerem aumento de preços e, desta forma, o índice sobe porque sugere aumento da demanda. Então, o PMI do Brasil foi beneficiado por este efeito.
Há duas boas notícias: aumento do índice de emprego e aumento das perspectivas para os próximos 12 meses com aposta no fim da guerra e fim das eleições, período de maior incerteza. Importante comentar que estes dois índices não fazem parte do índice geral.
Conclusão: os dados mais fracos da economia divulgados a partir de final de março apenas corroboram a nossa visão de que o melhor do crescimento ficou para trás. Ainda não temos visão de quando iremos mudar esta opinião. A desaceleração do crescimento só não é maior devido aos fortes incentivos vindos do governo, que em algum momento vão cobrar o seu preço.

7- Juros futuros
Juros futuros subiram ontem após relatório Focus mostrar aumento da desancoragem da inflação para 2028 e com forte alta do petróleo devido a falta de acordo entre EUA e Irã.
DI-2027 fechou a 14,20% e DI-2031 a 14,04%. Juro real da NTN-B 2035 fechou a 7,65%.
As opções do Copom para a próxima reunião indicam que há 24% de chances de manutenção dos juros (ainda minha aposta) e 73% de chances de corte de 0,25%.
Nesta semana estamos lendo reportagens no Valor com cenários mais pessimistas para juros: Selic mais próxima de 14% e pausa no ciclo de corte de juros. Nós já tínhamos esta visão há mais tempo: na pesquisa do Broadcast/Estadão do Copom passado projetamos pausa na Selic na reunião de junho e taxa terminal neste ano em 14%.






